11 fevereiro 2012

o coração mente a alma. e a alma mente, coração.

Eu deveria ser mais vagabundo.
Vagabundíssimo. Eu gostaria. Há em nós a mente, o coração e a alma. Há outras coisas também, mas estes três aspectos são os principais. E as pessoas são principalmente dominadas por um desses aspectos. Há os que são mais levados pela mente, os que são levados principalmente pela alma e os que são levados principalmente pelo coração. Pela razão de cada um desses. A minha alma é tremendamente vagabunda. Quer banhar-se do mundo, quer os mundos e as coisas de dentro deles antes de qualquer outra coisa. Minha alma quer os becos,  os cantos. Por a cabeça dentro dum camburão de lixo numa ruazinha sem saída e encotrar lá dentro outro vagabundo. Minha alma cria ratos. Porém, o que me domina é o coração. A mente vem ainda em terceiro lugar, às vezes em segundo, e em terceiro lugar à alma. E meu coração, que é o meu dominador, não é vagabundo. Muito pelo contrário. Meu coração não é escritor. Minha alma que é a escritora. Meu coração está mais para donzela do século XVIII. Frágil. E quer, por mais que eu tente resistir a isto, a comodidade de um amorzinho estável, bonzinho. Romanticozinho. O mundo, entretanto, está deixando de ser coração para ser alma, e é uma alma poluída: observe a sujeira dos becos desta cidade. As pessoas apáticas. Cada vez mais vagabundos nas ruas, às noite. Ou sempre foi assim? Talvez essa sujeira, essa vagabundagem não seja de hoje. Talvez eu quem a esteja enxergando só agora. O que sei é que, para os corações, está ficando imprópio viver.

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