04 abril 2013

meus heróis morreram de overdose

   Amanhã a minha vida completa 20 anos de existência. E hoje, que é dia 4 de abril de 2013, o primeiro astro que eu me tornei fã - realmente fã, desses de comprar pôster, revista, dvds e biografia não autorizada - completaria 34 anos. Heath Ledger. Lembro que chorei muito logo assim que li a noticia de sua morte. Encostei na parede do quarto, fui escorregando, caindo, sentei no chão e chorei, chorei. Bem cinematográfico. Era estranho sentir algo por quem não se conhecia. Muito do que eu sabia dos astros que eu era fã, muito ou quase tudo não passava de imagem criada; mas logo após a morte do Heath, pesquisando, lendo biografias, comecei a me imaginar como deviam ter sido seus últimos dias. Crises, problemas psicológicos depois de encarar a atuação do eterno Coringa de o Cavaleiro das Trevas (durante o laboratório de construção da personagem, havia exercícios como "Fazer uma lista das coisas que a mente doentia do Coringa achava engraçado. Entre elas estava o câncer e a aids". E eu, enquanto estudei teatro, soube um pouco o quanto alguns papéis são perigosos. Fazer o Coringa não deve ter sido fácil, e não foi), o sofrimento com a separação da esposa, Michelle Williams, que acabou de estrear com "O Mágico de Oz" que, juro, imaginei no lugar do James Franco, o Heath e pensei o quanto ele cairia melhor no papel. Coisas de fã. Mas sobretudo hoje, o Heath converteu-se numa sensação, exatamente. Deixou de ser pessoa e se tornou uma sensação. Algo como uma saudade de 2006, quando - oh, que piegas, coração! - o mundo não era como é em 2013. Quando o mundo não era pra mim o que ele hoje é pra mim em 2013. Falar em astro, lembro do Cazuza, que hoje completaria 55. E além dele, o Renato também estaria. Lembro que, imaginem!, eu pensava, quando mais novo, ser a reencarnação do Cazuza! Isso porque uma professora pos a ideia na minha cabeça quando me comparou a ele. Eu devia ter uns 14 anos e acabava de ouvir falar sobre espíritos, viagem astral e reencarnação. Pirei mesmo. E quando fui ouvir suas músicas, identifiquei-me tanto que achei que elas poderiam ter saído de dentro de mim! Até que eu soube que outras milhares de pessoas sentiam o mesmo quando escutavam o Cajú. Estou ouvindo agora aquela assim: "Meus heróis morreram de overdose / meus inimigos estão no poder"; ai, Cazuza, por que tão profético? Eu não espero nada de 2013. E amanhã é meu aniversário. E como se não bastasse, hoje chove. Um dia antes, parece que toda a carga do inferno astral que não me atingiu nos últimos 30 dias veio cair com tudo no último dia antes do meu aniversário. Daí eu me sinto clichê, chato, enjoativo, detestável. Só eu me suporto hoje. Tá tudo suspenso.

2 comentários:

Tarco disse...

Tiago, parabéns meu querido!

A morte do Ledger também me baqueou. Tomei um porre com a Paola no heyho, ela nem lembra. Vomitei. Acordei na casa de um desconhecido, desmemoriado e bravo. Brave new world: terminei um longo relacionamento. Tudo coincidindo, sincronizado.

Relaxa, que o melhor e o pior da vida ainda está por vir (nossa desgraça não tem limites - aprendi primeiro com Clarice depois com a vida). Me identifico com o teu bode nesse dia. E resta aproveitar esse presente de grego que é estar vivo!

Abraços, felicidades!!!

Paola Benevides disse...

Alegrias e renascenças, Tiago!