03 maio 2013

durante os estudos de ciências


   Tudo o que cerca a vida se fecha num imenso e evolutivo complexo de um sentido superior ao que nós, homens, em vista dos últimos fatos, desde quando nos tornamos modernos, somos incapazes de aceitar. E graças a nós, e apenas a nós,  seres racionais, há a ideologia do sentido das coisas. Qual a razão da vida na Terra se desenvolver de tal modo que, graças à evolução, um grupo de gazelas consegue, através do vento que transporta o aroma, sentir o cheiro do leão que deseja se alimentar delas para assim sobreviver? A Natureza da Terra – e não apenas da Terra, visto que tudo o que existe, considerando também o tudo o que há fora da Terra também se origina de uma forma que não se destrua – é tão milimetricamente organizada que, enquanto o ecossistema necessita da existência viva das gazelas, ele necessita também de sua existência morta pelo leão que se alimenta e assim adquire energia para continuar a fazer a sua parte no ecossistema. O que seria a vida, então, em seu sentido filosófico? Já que até quando morta e transformada em alimento que dará energia ao leão, a gazela ainda estará fazendo parte do ciclo da vida? Apenas nós, os seres dotados de razão, pomos sentido à vida, tal como em qualquer coisa, muito embora nos prendamos ao sentido que pusemos nela como a gazela que corre do leão para não morrer. Mas será que é mesmo assim? Significa então que a vida é o único ponto maior que nos resta? Porque ainda me permito pensar que as demais espécies correm da morte não porque querem se prender à vida como nós queremos, mas sim porque devem proteger a própria espécie que necessita existir para que o ecossistema ocorra em sua ordem superior a qualquer outra ordem e sentido que nós, homens, não compreendemos, porque a nossa condição de razão nos traz sensações como vaidade, egoísmo e arrogância. A nossa mãe, a Natureza, nos criou diferente de nossos irmãos, as outras espécies. E então penso nas outras espécies que comprovam o que eu penso sobre a vida diferente do simbolismo que as outras espécies põem: as abelhas são um ótimo exemplo. Como todas as outras espécies, existem também para  obedecer a uma ordem de função, e quando sua espécie está em situação de ameaça, elas cometem um suicídio espontâneo para se defenderem: seus ferrões, quando usados, levam junto parte de suas entranhas, causando assim a morte de suas donas. Talvez a espécie humana tenha sido feita, não diferente das outras, para colaborar neste ciclo infinito de construção e evolução que existe. Mas não é o que se vê e se sabe. Até uma colônia de formigas humilha uma nação de homens com sua organização construtivista. O homem precisa saber que ele também é, antes de tudo, Natureza. Mas o homem, que é destruidor e egoísta, ao invés disso, cria Deuses, e os cria a sua vaidosa imagem e vulnerável semelhança.

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