02 novembro 2013

onde, às dezessete horas, habita a escrita

  Por onde se prende os fragmentos do que pede para ser escrito durante os minutos entre às dezessete e dezoito horas, diante da luz macia dum céu que está deixando de ser sol para ser lua e estrelas? Antes do olhar se perder diante da profundeza do céu, onde tudo se explica, há uma morte diária enquanto as vizinhas conversam na calçada, os pássaros cantam às árvores e as luzes se despedem da Terra. O escritor, em sua solidão e sede de existir, diante de tudo isso tem disposto apenas o que lhe é disposto: suas canetas, suas folhas de papel, seus cadernos de anotações. Seus livros. Suas frases. Sua vida, única e incompleta, e por isso voltada para o horizonte das palavras. A escrita descansa sobre sua escrivaninha, no espaço entre os livros, nas paredes, nos olhos seus sonolentos, nos ângulos por onde ninguém mais vê; está a todo instante pronta para ser colhida dos cantos e entregue às mãos do escritor. 



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