Na cidade
Nada mudou
Os mesmos prédios e as ruas cansadas
Apenas as pessoas andam
/ diferentemente
Como se tivessem medo
De perder
A dignidade recém-conquistada
Tradução de Ana Cristina César e Grazyna Drabik
Folhetim, 23.06.85
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21 agosto 2014
04 abril 2013
Emily Dickinson em tradução
Avaliar tradução é um desafio. Para quem lida com a escrita, julgar a escrita alheia é tarefa geralmente desagradável em vista da particularidade do processo (só quem põe a mão na massa sabe). Pois julgar uma tradução é algo bem parecido: o trabalho que dá quando experimentamos traduzir, o constante fino que tiramos com o fracasso, e o exercício de humildade quando decidimos exibir o que conseguimos redimensionam por completo a tarefa de avaliar. Mas traduzir é preciso e toda tradução (de um mesmo texto), de certa forma, está avaliando uma tradução anterior. Trabalho no momento lecionando literatura traduzida e duas traduções de um poema de Emily Dickinson resultaram em ótimas discussões. Em sala, a tradução de Isa Mara foi unanimemente escolhida a melhor. O que acham?
Eis as traduções:
Eis as traduções:
Os
que estão morrendo, amor,
Precisam
de tão pouco:
um
Copo d’água, o Rosto
Discreto
de uma Flor.
Uma
lágrima, talvez um Leque,
E
a certeza que nenhuma cor
do
Arco-Íris perceba
Quando
você for.
Tradução:
Ana Cristina César
Quem
morre, Querido, de pouco precisa
Apenas
um Copo d’Água
O
Rosto discreto da Flor
Pontuando
a Parede lisa,
Um
Leque, talvez, do Amigo a Mágoa
E
a certeza de que alguém
No
Arco-Íris não verá mais cor
Depois
que você se for.
Tradução:
Isa Mara Lando
O poema original:
The Dying need but
little, Dear,
A Glass of Water’s all,
A Flower’s unobstrusive
Face
To punctuate the Wall,
A Fan, perhaps, a
Friend’s Regret
And Certainty that one
No color in the Rainbow
Perceive, when you are gone.
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