17 janeiro 2007

ILUSIONISTA(S)

A Música do Acaso, No País das Últimas Coisas, A Invenção da Solidão, Leviatã, O Livro das Ilusões. Estes são alguns dos títulos da obra do americano Paul Auster, que fará 60 anos agora em 2007. Em entrevista disponível na Internet, Auster afirma que para escrever um romance, ele precisa ter um título em mente. Um título, para ele, é detalhe de grande importância para o livro.
Ao terminar a faculdade de letras, Auster não sabia o que fazer da vida. Não queria seguir carreira acadêmica, não se imaginava lecionando na universidade. Queria ser escritor, mas precisava de dinheiro. Trabalhou durante alguns anos numa grande companhia e após juntar dinheiro suficiente, mudou-se para Paris, assim como o irlandês Beckett em décadas anteriores. Admirador de Beckett, leitor fiel de Cervantes, Auster como voz literária é um verdadeiro Frankenstein. Dois de seus romances, Leviatã e O Livro das Ilusões, narram histórias diferentes, mas em ambas podemos observar o caos existencialista (ainda ecoando lá da metade do século XX), malabarismos com o material narrativo à lá Beckett, suspense hitchcockiano (um dia ele pensou em fazer cinema), a violência e insanidade do presente, mesmo que ambientada no passado próximo e, o mais marcante para mim, o prazer de contar, criar histórias, continuando a saga de Sherazade n’As Mil e Uma Noites. Penso que todo escritor é meio Sherazade. Tenta ludibriar a morte inventando histórias, retirando mais tempo de dentro da cartola.

TARCO ZAN

Um comentário:

Tarco Zan disse...

A entrevista com Auster encontra-se em http://www.worldmind.com/Cannon/Culture/Interviews/auster.html