26 março 2012

Precisei de hoje pra mim. 
A vida é foda e não tenho dublê. 
Tive um sonho estranho com a Gal Costa. 
Uma cabeleira imensa  desviava meu olhar do rosto dela, que sorria.
Desejo de ouvir o disco novo recalcado pela falta de tempo. 
Desperto, encontrei uma foto empoeirada de minha irmã mais velha, de dez anos atrás.
Cabelos presos. Olhos e sorriso marcantes. Parece feliz no meio de amigas. Mais magra. Bonita. 
Animado, mostrei a ela as diferenças entre ontem e hoje. 
Ela franziu o rosto, procurando por si mesma na imagem: cadê eu? 
Faltava-lhe os óculos. 
Desviou o assunto para lembrar uma velha mágoa que tem com a mãe. 
Eu relatei a minha quanto ao nosso pai. 
Confidências de duas vítimas.
***
Ontem assisti Kika pela oitava vez. Achei bem kafikiano. Minha base é meramente Metamorfose.Vi O Processo, com o Kyle Maclachlan, mais bonito. Magro. A naturalização do bizarro em Kika me parece algo de Kafka. Paradoxalmente, a Espanha de Almodovar não causa estranheza, se se é de Fortaleza.  
***
Ontem, numa homenagem ao Chico, reprisaram uma espécie de crônica na qual ele mesmo narra o desejo de se nascer velho, aos 80 anos, e retroceder, até morrer de infância. Algo Benjamin Button (F. Scott Fitzgerald). O texto, porém, é expandido, num retrocesso que remontaria ao Big Bang. Quanto ao Chico, eu tinha medo do personagem Painho. Evitava ver. Um dia eu descubro o porque.

2 comentários:

Paola Benevides disse...

Essa semelhança nostra num me espanta mais, mas achei graça do teu medo do Paínho! KKKKKKKKK No mais, tua vida é bonita porque tu sabe colorir como ninguém, leio sempre aquarelas brilhantes, cores de um Almodóvar cearense... O que seria da gente sem a Literatura e as artes todas, hein? Precise-se mais.

Castelo disse...

Descobri que quase não sei fazer comentários. Só sentir ao ler tudinho do que é posto por aqui.