24 outubro 2008

Trava

- Menino, aquilo ali é um mamulengo. Eu não vejo paraíso nos seus olhos, tá meu bem? Nem responda, eu lá quero resposta de gente chinfrim, tu nem cresceu ainda, nem sabe limpar a bunda direito. Tu tem cada uma, ô criatura. Não é chifrin não, é chifrinho. Nem galha teve, preste atenção. Fala tudo errado, assim num pode ir pra frente. Vou te dizer o seguinte, andei aquela rua todinha, o maior deserto e eu a pé, só, morta de rouca por conta da chuva. Tive que tirar as botas e meter debaixo do braço. Tu ia bem achar que eu ia andar mil kilômetros de salto truante depois de um show? Aquele filho de uma égua desvairada me abandonou, pediu pra eu fazer tudo, mas daí descobriu o meu sexo. Eu sou cara de pau, eu encarei, tu sabe, escancarei rasgando meu vestido e fiquei ereto feito um rato. Foi, mulher, tou te dizendo. Pura a queijo. Descobriram logo. Foi tão trash que me sentei numa daquelas cadeirinhas de palha ouvindo Roberto Carlos e uma velha do meu lado toda de vermelho dizendo que o rei se apaixonou agora por uma mocinha de vinte e poucos. Ah, meus vinte e quatro! O rei de perna de pau ainda aguenta, será? Aquela ali já tá de vida ganha. Eu não. Gosto de sexo, faço por vício e profissão, graças a deus legalizada. Só que de vez em quando aparece um doidinho como esse que dispensa a gente assim sem mais. Justo eu, tão escolada, culta. Eu moro num barraco, eu sei, mas e daí? Lá é limpo, nem guabiru tem, nem entoco droga no colchão. Se tu for lá, vai ver a mola embaixo, a ferrugem foi do pó que se misturou com meu mijo noite dessas. Bebi até estourar um útero fake, nem senti descer. Não tenho nem um puto pra comprar droga, mulher. Se aquiete. A droga sou eu e mal me compram. Eu tou é com medo, num vou mentir pra ficar preta. Agora sem pedra, sem pó, sem erva, a vida vai ficar insuportável ao cubo. Acho que vou pegar minha cinta e me enforcar. Mas num esquece de me maquiar todinha antes, mulher. Quero ir linda pro paraíso, com a bunda dura pro garfo do diabinho me espetar. Um diabinho querubim. Eu não vou rezar nunca, mulher, eu sei que minha pomba-gira não aceita o lance. Tu me aceita? Ô, mulher, eu te quero tanto. Precisa chorar não, tem pena de mim não que eu sou escrota. Olha aqui meu peito, pegue aqui, tou te mandando! Sentiu? Então, eu posso ainda.

3 comentários:

Tarco Lemos disse...

ô trava tu

Paola Benevides disse...

Um dia eu me travo o EU.

Tarco Lemos disse...

pra que? libera tudo, geral, solta
aí p...