12 março 2009

O cantor careca

Amuado amuado amuado desde o dia 26 de fevereiro, última vez em que anotei alguma coisa; primeira e última vez que vi o Marco(s) - não lembro exatamente se Marco ou Marcos pois na mesma época conheci um professor de química chamado Marco ou Marcos - o fato é que o primeiro Marco(s), cantor e animador de festas de casamento, roubou de mim a reação pronta e espontânea ao inusitado quando imitou o Sílvio Santos depois de termos passado meia hora nos entendendo muito bem numa saleta abarrotada de caixas de som, sintetizadores e outros troços eletrônicos. Me restou o olhar vidrado e ausente pra parede branca e nua, tela refletindo a praia sinuosa que dobra numa curva de coqueiros retorcidos e onde sempre caminho sozinho quando nada resta além do teletransporte mental.

Exímio no onde quando e como do toque, esse Marco(s). Timing perfeito. Era uma festa, eu convidado, ele vendendo humor televisivo. Bem, tudo transcorria muito bem. Não vou detalhar tudo que ocorreu na saleta, pois um dia quem sabe eu ganhe algum dinheiro com literatura homoerótica. Mas o cantor era um sedutor nato, desses que vemos nos filmes straights e que no imaginário gay mais parece uma lenda urbana romântica. Os olhos dele, pequenos e coloridos de um marron aceso incitavam uma vontade além-sexual: casa-mento, kama-sutra. A boca; por um instante pensei que ele atuasse. Instante passageiro. Estava claro que ele não ponderava nem media nada como eu fazia, apenas se entregava.

Nenhum de nós mais aguentava prolongar o antes, então decidimos ir até o fim. Desaceleramos o embate e olhei mais uma vez a cor dos olhos dele, mogno, quase vermelho, lindos. Foi então que aconteceu. Segurei-o pelos cabelos copiando um pouco da segurança e entrega feroz dele. Um aplique, um chumaço de cabelos que até pouco tempo era o topete demodê dele, desgrudou por completo. A cabeça do cantor desnuda o deixou com cara de manequin de vitrine, nu. Para onde seu olhar esvaziado e esmaecido o conduzia agora, eu me perguntei, pleno pleno pleno de curiosidade em ver a sua reação. Ele tomou a porção de cabelos da minha mão e se refugiou no animador de festa que faz rir estalando a língua, rindo, e entremeando o nada com longos ôi. Saimos da saleta e nos depedimos como dois estranhos que éramos.

Tarco

Um comentário:

Paola Benevides disse...

Era o MOBY? Play! Não, era o carequinha do Smashing Punpkins... O ativista natureba do Midnight Oil então? Marcelo Taz? Humm... Marco(s), um marco na vida fictícia-factotum!