29 março 2011

Teatro do absurdo


Esse vídeo foi apresentado hoje durante as apresentações sobre o teatro do absurdo, na livraria cultura. Antes de ver Jeremy Irons na tela - uma presença que magnetiza - houve um esquete com Diego Landin, ator que faz parte do http://projetocadafalso.blogspot.com/ . O mediador pediu que voluntários subissem ao palco para emparedar a performance. Engraçado que isso acabou desviando um pouco a atenção da performance do ator. Porque observar os rostos daquelas pessoas meio curiosas, meio tímidas, meio exibidas, desconhecidas e ao mesmo tempo caras no interesse em ver Beckett, foi quase hipnótico. Também houve um depoimento muito bacana de um cara chamado Tito de Andrea, que pesquisa os romances de Beckett. Depoimento de leitor faminto e entusiasmado com a sensação de ter encontrado um espelho. Talvez vários. Ele falou em afogar-se na obra para ouvir o canto de sereias carnívoras, algo assim. Outra intervenção bem legal aconteceu na platéia. Uma professora de sociologia disse que todas as considerações feitas pelo palestrante Carlos Augusto sobre o teatro do absurdo se encaixavam perfeitamente com a realidade de pessoas comuns que ela entrevista para suas pesquisas: o conflito diário das pessoas para se comunicar. Ou seja, o teatro do absurdo pode ser visto como um instantâneo da vida real, que é mais incoerente e desconexa do que admitimos. Ela entrou em questões filosóficas, e disse que a proposta de artistas como Beckett nos ajuda a refletir como "engolimos" as coisas facilmente em busca de sentido. Estávamos ali no auditório discutindo Beckett e o teatro do absurdo e, aparentemente, todo mundo aceitava que aquilo estava acontecendo do modo como estava acontecendo. Mas aí ela questionou: será que isso tudo está mesmo acontecendo? Quem garante? Eu ia dizer que eu garantia, mas isso ia quebrar o encanto da intervenção. A palavra é quebrar.

Fucei e encontrei coisas do Tito, aqui.

A programação do evento continua até 31/03.

Tarco     

Um comentário:

Paola Benevides disse...

Da próxima, dá o toque? Nem creio que perdi... Depois que vi a agenda de eventos logo abaixo em posts de antes e nem me dei conta da programação. Quanto ao Tito, conheço desde os tempos pivetais de escola. Ele era o filhinho chato do baterista da banda punk Camisa de Vênus, coordenador de Cultura e esportes na época, no Geo Fátima. Eis que se tornou um poeta. Pois é!!