04 abril 2013

Emily Dickinson em tradução

Avaliar tradução é um desafio. Para quem lida com a escrita, julgar a escrita alheia é tarefa geralmente desagradável em vista da particularidade do processo (só quem põe a mão na massa sabe). Pois julgar uma tradução é algo bem parecido: o trabalho que dá quando experimentamos traduzir, o constante fino que tiramos com o fracasso, e o exercício de humildade quando decidimos exibir o que conseguimos redimensionam por completo a tarefa de avaliar. Mas traduzir é preciso e toda tradução (de um mesmo texto), de certa forma, está avaliando uma tradução anterior. Trabalho no momento lecionando literatura traduzida e duas traduções de um poema de Emily Dickinson resultaram em ótimas discussões. Em sala, a tradução de Isa Mara foi unanimemente escolhida a melhor. O que acham?

Eis as traduções:


Os que estão morrendo, amor,
Precisam de tão pouco:
um Copo d’água, o Rosto
Discreto de uma Flor.

Uma lágrima, talvez um Leque,
E a certeza que nenhuma cor
do Arco-Íris perceba
Quando você for.

Tradução: Ana Cristina César

Quem morre, Querido, de pouco precisa
Apenas um Copo d’Água
O Rosto discreto da Flor
Pontuando a Parede lisa,

Um Leque, talvez, do Amigo a Mágoa
E a certeza de que alguém
No Arco-Íris não verá mais cor
Depois que você se for.

Tradução: Isa Mara Lando

O poema original:

The Dying need but little, Dear,
A Glass of Water’s all,
A Flower’s unobstrusive Face
To punctuate the Wall,

A Fan, perhaps, a Friend’s Regret
And Certainty that one
No color in the Rainbow
Perceive, when you are gone.




Um comentário:

Paola Benevides disse...

Belíssimos poema e tradução! Entrevista com Isa Mara para TECLA SAP: http://www.teclasap.com.br/2008/07/09/entrevista-isa-mara-lando/