16 outubro 2013

meu abrigo sou eu



meu abrigo sou eu
sou assim tantas peças
de roupa em cadeiras
cama, aparador e chão
que mais pareço fruto
de uma explosão

frascos de creme em
estantes e prateleiras
o capacete em destaque
sobre a cadeira vermelha
o abajur negro camuflado
entre a bagunça da mesa

sou kitsch em meio
a canecas repletas
de canetas mortas
sobre o mármore frio

e livros para todo lado
desordenados como a chuva
de cartas de baralho
que cai sobre Alice

sou três espelhos dispostos
entre quatro paredes
sou uma bola de vôlei
ao lado do livro de Alice

Munro sou um tapete velho
enrolado no meio do caminho
sou a sacola junto a porta
com tudo que vou jogar fora.

Tarco

2 comentários:

Paola Benevides disse...

Tua alma te abriga tão bem, que me obriga a dizer o quanto posso ler de ti o que prende e liberta no quarto de mim também: somos vastidão porque damos vida ao inanimado - quando ele não corresponde, a gente joga fora no lixo. POEMAÇO LINDO! S2

Tarco disse...

Que leitura, sista linda--