21 fevereiro 2008

Papéis de um escritor encontrados no lixo.

Não vou mais escrever, nem consigo concluir um conto. É fato, o ato me dói até as veias do pensamento. Minha alma anda mais seca que a tinta dessa caneta. Aborreci-me com as palavras, fechei-me para elas como para as pessoas. Estou na iminência da morte e a sorte pôs meus cadáveres nas gavetas da geladeira. Nem há razão para nada, só resta a sensação do perigo. Eu amei aqueles infelizes milhares de vezes, até que eles me zombaram dizendo: "não me importo com a sua dor". E quem? Quando tomo as dores dos outros, meus olhos incham feito o fim da picada de abelha, produzo um fel que corrói até o aço das vísceras e a boca do estômago resseca. Eles ficam me atiçando, encaminham pedidos e pedidos para amanhã. Mal sabem eles que sou só, nem sei do hoje. Em troca: nada. Sempre. Não por muito tempo, porque um dia eu renasço.

3 comentários:

Tarco Zan disse...

Só minha dor estava tendo prazer... Como é odiosa a vida com vergonha.

Medida por Medida, W.S.

Gilvan disse...

Foi você que escreveu ou teu autor injuriado? Mata ele, pô, ou obriga ele a escrever outro desesperanto como esse.
Aliás, tô de volta. Posso?

Tarco Zan disse...

claro q pode! Alias, nao pode perguntar se pode. E tem uma coisa